1. Bancos centrais e justiça distributiva
O debate sobre quem ganha e quem perde com a política monetária não é mera teoria; envolve também dinheiro e dívida. Por exemplo, um artigo do Fundo Monetário Internacional (FMI) analisa famílias fictícias para mostrar que os efeitos distributivos são reais. Nesse contexto, quando o banco central reduz a taxa de juros, pessoas endividadas (como estudantes com financiamento) pagam menos juros e podem refinanciar dívidas. Por outro lado, aposentados e poupadores que vivem de juros recebem rendimentos menores. Isso significa que as famílias com pouca dívida e muitos depósitos são prejudicadas, enquanto os devedores líquidos são beneficiados..
Esse canal de redistribuição demonstra que a atuação do banco central não é neutra e pode transferir renda de poupadores para tomadores de crédito. Além disso, o mesmo estudo ressalta que os efeitos totais dependem de diversos canais (mercado de trabalho, patrimônio e dívidas) e podem variar entre países. Por fim, o FMI recomenda que bancos centrais compreendam melhor essas diferenças e comuniquem os impactos distributivos de suas ações para preservar a confiança pública.
2. Dinheiro criado pelos bancos: o saldo na sua conta é uma promessa
Primeiramente, o Banco da Inglaterra esclarece que a maior parte do dinheiro da economia moderna é criada pelos bancos comerciais quando concedem empréstimos. Ou seja, ao contrário da visão popular de que os bancos simplesmente intermediam depósitos ou multiplicam reservas do banco central. Desse modo, o estudo afirma que os depósitos são criados quando um banco faz um empréstimo e são destruídos quando o empréstimo é pago.
Assim, o montante de dinheiro na economia depende da política monetária do banco central. Em tempos normais isso ocorre via definição da taxa de juros. No entanto, o banco central também pode aumentar diretamente a quantidade de dinheiro comprando ativos (programas de compras ou quantitative easing).
Portanto, esse entendimento oficial reforça a narrativa de que o dinheiro que usamos é uma promessa do sistema bancário respaldado pela política monetária. Ele mostra que não se trata de um ativo que o correntista “possui” fisicamente.
3. Por que o mundo vive de dívida
Relatórios recentes apontam que a dívida global atingiu níveis recordes e tem se mantido elevada. O Monitor de Dívida Global do FMI de 2025 estima que o estoque de dívida pública e privada alcançou US$ 251 trilhões em 2024, o equivalente a mais de 235 % do PIB mundial. Nesse período, a dívida pública subiu para quase 93 % do PIB e a dívida privada caiu para cerca de 143 %. O relatório também observa que esses níveis permanecem muito acima dos patamares pré‑crise financeira de 2008.
Além disso, o relatório da UNCTAD “A world of debt 2025” reforça essa visão. Ele afirma que a dívida pública global chegou a US$ 102 trilhões em 2024, um aumento de US$ 5 trilhões em relação a 2023. Países de renda baixa e média responderam por 31 % dessa dívida, e muitos viram a dívida crescer mais rápido que o PIB.
Da mesma forma, o Banco Mundial, em seu International Debt Report 2025, destaca que os países de baixa e média renda desembolsaram US$ 741 bilhões em pagamentos de principal e juros entre 2022‑2024. Ao mesmo tempo, esses países aumentaram a captação em mercados domésticos para financiar seus déficits. Portanto, esses números mostram que o endividamento é um componente estrutural das finanças modernas. Isso reforça a ideia de que simplesmente “acabar com a dívida” não é realista, pois governos e empresas dependem dela para financiar investimentos e suavizar ciclos econômicos.
4. Quem controla o dinheiro do mundo?
Para começar, o Banco de Compensações Internacionais (BIS) descreve‑se como uma organização internacional que serve bancos centrais e outras autoridades financeiras. Ele fornece um fórum para cooperação e atua como banco dos bancos centrais.
Além disso, o BIS promove a estabilidade financeira global por meio de colaboração entre bancos centrais, supervisores e reguladores, oferecendo serviços bancários exclusivamente a bancos centrais e instituições internacionais. Isso significa que não existe uma entidade única controlando todo o dinheiro; há uma rede de bancos centrais que coordena políticas monetárias e regulatórias através de organizações como o BIS. Consequentemente, a independência e a cooperação entre essas instituições moldam a oferta de moeda e a estabilidade do sistema financeiro global.
5. Liquidez global: o motor de booms e crises
5.1 Definição e mecanismos
De acordo com o FMI, a liquidez global é definida como os fatores que impulsionam a oferta de financiamento proveniente de centros financeiros internacionais. Essa definição determina a facilidade de financiamento no mundo. Esses fatores incluem:
- Atitudes de risco dos investidores e medidas de volatilidade (por exemplo, VIX);
- Condições de balanço dos grandes bancos, refletidas em alavancagem e acesso a financiamento;
- Níveis gerais de taxa de juros e inclinação da curva de rendimentos;
- Políticas monetárias e macroprudenciais nas principais economias;
- Inovação financeira e a composição dos investidores (bancos, fundos, residentes e não‑residentes).
5.2 Booms, busts e risco sistêmico
Além disso, o mesmo relatório observa que, antes da crise financeira global, condições monetárias frouxas, taxas de juros baixas e inovações financeiras facilitaram o aumento da alavancagem. Adicionalmente, esse ambiente ampliou balanços e encorajou padrões de crédito mais permissivos, como as hipotecas subprime. Essa combinação levou a entradas maciças de capital e aumento de vulnerabilidades, com crise de crédito generalizada quando as condições mudaram.
Posteriormente, após a crise, o forte apoio monetário nos países avançados ajudou a compensar a contração do crédito privado, mas também teve efeitos globais.
Em resumo, liquidez abundante costuma impulsionar booms de crédito e elevações de preços de ativos. Quando a liquidez seca, os países enfrentam busts e crises.
Em síntese, o BIS complementa essa análise ao definir liquidez global como a facilidade de financiamento nos mercados financeiros globais, dependente das ações de investidores privados, instituições financeiras e políticas macroprudenciais. Essa liquidez depende das ações de investidores privados, instituições financeiras e políticas macroprudenciais. Além disso, o relatório destaca que os componentes internacionais do crédito — financiamento direto do exterior aos residentes e crédito canalizado por bancos domésticos e em moedas estrangeiras — são os principais motores dos ciclos de boom e bust. Durante os booms, o crédito externo cresce mais rápido que o doméstico e fornece o financiamento marginal que alimenta bolhas. Quando as condições se invertem, essas entradas se contraem rapidamente, amplificando as quedas.
5.3 Importância para formuladores de política
Por fim, as análises do FMI e do BIS convergem: monitorar a liquidez global e seus drivers é crucial para antecipar desequilíbrios financeiros. Entre esses, indicadores como crédito transfronteiriço, alavancagem bancária, spreads de crédito e volatilidade devem ser acompanhados para identificar booms insustentáveis. Além disso, políticas macroprudenciais e controles de capital podem mitigar a vulnerabilidade dos países a ciclos de liquidez global.
Conclusão
Em conclusão, os relatórios de organismos internacionais mostram que política monetária, criação de dinheiro, endividamento e liquidez global são temas interconectados. Os bancos centrais redistribuem renda ao ajustar taxas de juros. Os bancos comerciais criam a maior parte do dinheiro na economia. O mundo opera com níveis de dívida historicamente altos. A coordenação entre bancos centrais ocorre por meio de instituições como o BIS.
Por fim, a liquidez global — moldada por atitudes de risco, alavancagem e políticas monetárias — influencia booms e crises. Portanto, compreender esses mecanismos a partir de fontes oficiais ajuda a construir narrativas sólidas. Assim, evita‑se simplificações ou teorias conspiratórias sobre quem controla o dinheiro ou como as crises acontecem.
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